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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
Enttropia - Whisky, esfinges e crianças (legendado!)
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Artigo Acadêmico: O amor e o sedutor estético: Mimesis e semiose,
Descrição onírica de um sonho - que deu origem a uma música,
Música: Whisky esfinges e crianças - com legenda - autoral Banda Enttropia,
Poemas do livro - os Atemporais - Autoral,
Poemas do livro Catedrais suspensas - autoral,
Quadro Dicotomia personificado em poesia
domingo, 15 de março de 2009
Quadro "Dicotomia" personalizado em poesia
DICOTOMIA
O sol se vai mais uma vez ao ouvir as trombetas do norte.
As sombras acordam do torpor e nos convidam a brindar.
Há uma fome não satisfeita que vem dos domínios da noite.
E as bocas salivam com as migalhas que encontram ao luar.
Não poderão se esconder do apetite insaciável dos coiotes.
Há uma criança com nictofobia que, apavorada, segura uma mão.
Pedindo pra não deixá-la só, com as visões que nascem da penumbra.
Neste instante uma escolha nasce rasgando ao meio o ser da ação.
A dicotomia entre: a ampulheta da boemia que inflama os sentidos,
Ou o acalento da prole que costura na alma, os valores mais distintos.
A dicotomia traz espasmos musculares e vinho tinto é derramado.
Enquanto os ventos pasmam diante do ballet apolíneo da fumaça.
Para não ver as visões da parede a criança deixa os olhos apertados.
Ela vestiu a noite em forma de pijama pra não ficar jogada às traças.
Pensou que poderia seduzi-la tanto quanto a noite e suas graças.
Estamos diante de um dos maiores e mais correntes dilemas.
Escolher entre o construir e o se omitir pelos estímulos pueris.
Entre uma obra-prima e um passatempo de memória estéril.
Análogo a essa criança é o tempo que agarra minha mão e diz:
Não me deixe no escuro, pois não voltarei pra saber o motivo!
Thiago Rodrigues de Souza
O sol se vai mais uma vez ao ouvir as trombetas do norte.
As sombras acordam do torpor e nos convidam a brindar.
Há uma fome não satisfeita que vem dos domínios da noite.
E as bocas salivam com as migalhas que encontram ao luar.
Não poderão se esconder do apetite insaciável dos coiotes.
Há uma criança com nictofobia que, apavorada, segura uma mão.
Pedindo pra não deixá-la só, com as visões que nascem da penumbra.
Neste instante uma escolha nasce rasgando ao meio o ser da ação.
A dicotomia entre: a ampulheta da boemia que inflama os sentidos,
Ou o acalento da prole que costura na alma, os valores mais distintos.
A dicotomia traz espasmos musculares e vinho tinto é derramado.
Enquanto os ventos pasmam diante do ballet apolíneo da fumaça.
Para não ver as visões da parede a criança deixa os olhos apertados.
Ela vestiu a noite em forma de pijama pra não ficar jogada às traças.
Pensou que poderia seduzi-la tanto quanto a noite e suas graças.
Estamos diante de um dos maiores e mais correntes dilemas.
Escolher entre o construir e o se omitir pelos estímulos pueris.
Entre uma obra-prima e um passatempo de memória estéril.
Análogo a essa criança é o tempo que agarra minha mão e diz:
Não me deixe no escuro, pois não voltarei pra saber o motivo!
Thiago Rodrigues de Souza
Poema que personifíca o quadro verbalmente
QUADRO "DICOTOMIA" NA ÍNTEGRA
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Quadro Dicotomia personificado em poesia
quarta-feira, 21 de janeiro de 2009
Poemas do Livro: Os Atemporais

SONHO
Meu caminho é como o éter fabuloso, obscuro e intangível.
Meu corpo é esquálido e meu toque é oniricamente surreal.
Meu reino são os jardins suspensos pelo fascínio instável.
Sou o atemporal que devora a banalidade fugaz e trivial.
Minha voz sussurra a fantasia e minha música é quimérica.
Nos meus domínios eu manipulo a física e desafio à lógica.
Onde meus dedos longos tocam, causo inspiração magnífica.
Meu ímpeto deu origem às obras-primas e à própria mágica.
Meu pecado é necessário aos meus vastos devaneios lúdicos.
A preguiça traz o ócio que liberta a contemplação filosófica dos poetas.
A preguiça traz o sono que liberta o R.E.M, deixando-me entrar como os profetas.
Eu desvendo meus épicos domínios na companhia alada do mais belo dos grifos,
As suas virtudes são muitas e sua presença é geniosa e acalentadora.
Em pouco tempo tocarei sua mente com o olhar cirúrgico de outrora.
E direi: muito prazer eu sou o sonho...
Meu caminho é como o éter fabuloso, obscuro e intangível.
Meu corpo é esquálido e meu toque é oniricamente surreal.
Meu reino são os jardins suspensos pelo fascínio instável.
Sou o atemporal que devora a banalidade fugaz e trivial.
Minha voz sussurra a fantasia e minha música é quimérica.
Nos meus domínios eu manipulo a física e desafio à lógica.
Onde meus dedos longos tocam, causo inspiração magnífica.
Meu ímpeto deu origem às obras-primas e à própria mágica.
Meu pecado é necessário aos meus vastos devaneios lúdicos.
A preguiça traz o ócio que liberta a contemplação filosófica dos poetas.
A preguiça traz o sono que liberta o R.E.M, deixando-me entrar como os profetas.
Eu desvendo meus épicos domínios na companhia alada do mais belo dos grifos,
As suas virtudes são muitas e sua presença é geniosa e acalentadora.
Em pouco tempo tocarei sua mente com o olhar cirúrgico de outrora.
E direi: muito prazer eu sou o sonho...
Thiago Rodrigues de souza

CAOS
Eu carrego os dados da incerteza e tenho nas mangas as falhas de comunicação.
As crises econômicas e o desespero do homem são meus ensaios.
Corrupção e meu sobrenome, e os corruptos meus fieis lacaios.
Eu danço com a entropia rasgando as leis e queimando a sua constituição.
Desordem e minha inspiração e o descontrole meu amado aliado.
Sem minha presença não há ordem, pois a própria ordem me convida.
Meu corpo é assimétrico e meus traços são tortuosos como a vida.
A sorte e o azar são marionetes nas minhas mãos tremulas pelo pecado.
Meu pecado é a avareza, pois minhas riquezas são inegociáveis.
Eu sempre quero ganhar mais e mais nos meus jogos sádicos de azar.
Os que se deitam comigo pagam o preço pelo meu pecado elementar.
Na babilônia antiga eu encontrei meu monstro de companhia.
Tiamat veio ao meu encontro e nos unimos em pacto sagrado,
Ela é a consumação vivaz dos meus desejos, no meu domínio selado.
Eu carrego os dados da incerteza e tenho nas mangas as falhas de comunicação.
As crises econômicas e o desespero do homem são meus ensaios.
Corrupção e meu sobrenome, e os corruptos meus fieis lacaios.
Eu danço com a entropia rasgando as leis e queimando a sua constituição.
Desordem e minha inspiração e o descontrole meu amado aliado.
Sem minha presença não há ordem, pois a própria ordem me convida.
Meu corpo é assimétrico e meus traços são tortuosos como a vida.
A sorte e o azar são marionetes nas minhas mãos tremulas pelo pecado.
Meu pecado é a avareza, pois minhas riquezas são inegociáveis.
Eu sempre quero ganhar mais e mais nos meus jogos sádicos de azar.
Os que se deitam comigo pagam o preço pelo meu pecado elementar.
Na babilônia antiga eu encontrei meu monstro de companhia.
Tiamat veio ao meu encontro e nos unimos em pacto sagrado,
Ela é a consumação vivaz dos meus desejos, no meu domínio selado.
Thiago Rodrigues de Souza
(ALEXANDRE O GRANDE)A GUERRA
Eu fiz tribos e nações derramarem sangue em trincheiras.
Deleitei-me com a sinfonia das espadas na orquestra bélica.
Minha língua tem gosto de cortes e eu respiro a violência alheia.
Alimento-me dos órfãos e viúvas que restam da agonia esférica.
Sigo guiando as cúpulas dos governos e dos meus lacaios vis,
Enquanto a religião apóia, cega, minhas moléstias irascíveis.
Sou mundial, civil e fria, meus escravos são sempre fortes e viris.
Sou o ápice da seleção natural de uma raça de víboras instáveis.
Meu pecado é a ira com seu cálice sedento de sangue acre-doce.
Eu exalo fúria e ambição, essa é a combinação letal do meu império.
As almas sob minha regência não têm compaixão e a piedade é estéril.
Desbravo os meus domínios ao lado de um monstro nórdico.
O temido lobo Fenrir, me acompanha, com sua fúria devastadora.
Devorando os corpos que não foram achados nos combates de outrora.
Eu fiz tribos e nações derramarem sangue em trincheiras.
Deleitei-me com a sinfonia das espadas na orquestra bélica.
Minha língua tem gosto de cortes e eu respiro a violência alheia.
Alimento-me dos órfãos e viúvas que restam da agonia esférica.
Sigo guiando as cúpulas dos governos e dos meus lacaios vis,
Enquanto a religião apóia, cega, minhas moléstias irascíveis.
Sou mundial, civil e fria, meus escravos são sempre fortes e viris.
Sou o ápice da seleção natural de uma raça de víboras instáveis.
Meu pecado é a ira com seu cálice sedento de sangue acre-doce.
Eu exalo fúria e ambição, essa é a combinação letal do meu império.
As almas sob minha regência não têm compaixão e a piedade é estéril.
Desbravo os meus domínios ao lado de um monstro nórdico.
O temido lobo Fenrir, me acompanha, com sua fúria devastadora.
Devorando os corpos que não foram achados nos combates de outrora.
Thiago Rodrigues de Souza.

SUICÍDIO
Sou um ente deveras poderoso e tenho sido muito solicitado.
Encontrar-me é a comprovação fidedigna do livre-arbítrio.
Escolher ativamente o instante do fim inevitável, num ato conjurado.
O poder de escolher a não existência é meu grandioso ofício.
Entrego-me a poucos, pois muitos são os que procuram minha mente.
Ofereço um poder de escolha que foi negado até aos anjos caídos.
O homem nunca pediu a existência, e foi jogado num jogo contingente.
O homem é o acidente orgânico do pós-coito híbrido dos acorrentados.
Diante dessa entropia entrego-me a ti, pois nem Deus pode ter-me,
A morte é minha mentora, ela não precisa tentar, a resposta está nela,
Meu pecado é a inveja, pois meu poder é limitado diante dela.
Meu monstro de companhia é o Basilisco com seu olhar mortal.
É o olhar dos que têm a inveja na alma e com os olhos destrói as almas alheias.
Eu sigo com meu evangelho impar sempre buscando as mais frias veias.
Sou um ente deveras poderoso e tenho sido muito solicitado.
Encontrar-me é a comprovação fidedigna do livre-arbítrio.
Escolher ativamente o instante do fim inevitável, num ato conjurado.
O poder de escolher a não existência é meu grandioso ofício.
Entrego-me a poucos, pois muitos são os que procuram minha mente.
Ofereço um poder de escolha que foi negado até aos anjos caídos.
O homem nunca pediu a existência, e foi jogado num jogo contingente.
O homem é o acidente orgânico do pós-coito híbrido dos acorrentados.
Diante dessa entropia entrego-me a ti, pois nem Deus pode ter-me,
A morte é minha mentora, ela não precisa tentar, a resposta está nela,
Meu pecado é a inveja, pois meu poder é limitado diante dela.
Meu monstro de companhia é o Basilisco com seu olhar mortal.
É o olhar dos que têm a inveja na alma e com os olhos destrói as almas alheias.
Eu sigo com meu evangelho impar sempre buscando as mais frias veias.
Thiago Rodrigues de Souza

A MORTE
O meu pálido corpo caminha entre as lápides e mausoléus.
O meu canto é sádico e a minha presença é indispensável.
Sou um ser necessário e carrego o peso da ordem mutável.
Sem mim a vida seria insuportável, caótica e cheia de réus.
A vida me pede passagem e eu seleciono quem vai e quem fica.
Meu pecado é sem dúvida a gula, meu apetite é insaciável.
Ando na companhia de um monstro atroz e infalível.
O Cão Cérbero fareja as almas que esperam minha visita tísica.
Gosto dos assassinos e suicidas, apesar de estarem em pólos opostos.
Vi diversas formas de extrema unção selarem os meus feitos.
Minha função é mórbida e minhas realizações não têm defeitos.
Sou o ente mais temido e incompreendido entre os atemporais.
Sou o fato consumado e de mim não há fuga ou argumentação.
Cedo ou tarde lhe farei uma visita fúnebre sem aviso de antemão.
E direi: muito prazer eu sou a morte...
O meu pálido corpo caminha entre as lápides e mausoléus.
O meu canto é sádico e a minha presença é indispensável.
Sou um ser necessário e carrego o peso da ordem mutável.
Sem mim a vida seria insuportável, caótica e cheia de réus.
A vida me pede passagem e eu seleciono quem vai e quem fica.
Meu pecado é sem dúvida a gula, meu apetite é insaciável.
Ando na companhia de um monstro atroz e infalível.
O Cão Cérbero fareja as almas que esperam minha visita tísica.
Gosto dos assassinos e suicidas, apesar de estarem em pólos opostos.
Vi diversas formas de extrema unção selarem os meus feitos.
Minha função é mórbida e minhas realizações não têm defeitos.
Sou o ente mais temido e incompreendido entre os atemporais.
Sou o fato consumado e de mim não há fuga ou argumentação.
Cedo ou tarde lhe farei uma visita fúnebre sem aviso de antemão.
E direi: muito prazer eu sou a morte...
Thiago Rodrigues de Souza
Sonho que deu origem à poesia e à música: Portas Fechadas

Sonho das Portas Fechadas.
Thiago Rodrigues de Souza.
No sonho eu acordo num lugar muito alto, estava sozinho dormindo em cima de uma caixa d’água de concreto gigantesca que fica no bairro Pacheco em Ilhéus. A forma arquitetônica da caixa d’água é única: lembra um disco voador de concreto em forma de octógono suspenso a 100 metros de altura por quatro colunas de concreto, com uma escada em espiral entre as quatro colunas. É uma noite silenciosa e melancólica (ao menos é esse o sentimento que eu tenho quando acordo no sonho). Olho curioso pra baixo e não vejo um ser vivente sequer, ainda olhando pra baixo ouço o chirriar de corujas inquietas e penso nisso como um presságio, olho pro alto e não vejo a Lua sinto-me mau por isso. Olho em seguida para o horizonte da cidade e ouço uma voz feminina que rasga o silêncio, o tom da voz é de clamor, mas não consigo identificar nem entender as palavras que a voz expressa. (Não sei ao certo se eu não compreendia o que a voz dizia ou se eu ao acordar não consegui lembrar, mas o tom de clamor é nítido em minha mente até agora).
Sinto-me realmente curioso e perturbado com aquela voz, que não era um grito de socorro nem uma voz desesperada frente ao perigo eminente, era como um canto lamurioso que realmente me atraiu como um imã. Olho para cima é ainda não vejo a lua, o que me causa mais aflição. Desço rápido, mas não correndo, as escadas da caixa d’água e chego à rua de paralelepípedos assimétricos, a noite está muito escura, uma penumbra densa que revela de forma tísica as silhuetas dos entes de concreto em meu caminho. Sigo eufórico e perturbado a voz, tateando pela penumbra sem lua, uma neblina rala ofusca mais o meu caminho guiado pela voz lamuriosa.
Depois de caminhar, às cegas, por algum tempo, chego aos portões da Catedral da Piedade em Ilhéus, encontro o cadeado do portão aberto e a voz está mais alta e vindo lá de dentro, fico apreensivo em entrar, mas sou acalentado por um impulso juvenil e me sinto impelido a entrar. A primeira coisa que meus olhos vêem é escuridão e um corredor gigante cheio de portas fechadas, paredes altíssimas e janelas imensas com vitrais, tudo está muito escuro e eu não consigo ver os desenhos dos vitrais. (Nunca entrei na Catedral da Piedade e não tenho idéia de como possa ser o seu interior) Entro tateante e sigo a voz que não para de me atormentar fazendo com que dois sentimentos se mesclem: curiosidade e medo. A escuridão me mostra no corredor varias silhuetas em movimento e não consigo distingui-las, são muito estranhas para minha compreensão. A voz vai ficando mais alta e nítida, mas ainda não consigo identificar as palavras ou entender o que esse canto lamurioso diz.
Fico curioso com as portas e toco com o ouvido uma delas, escuto coisas atrás da porta: vozes, gemidos, confusão, risadas, palavrões, brigas, barulho, estrondos. Percebo depois que em todas tem barulho e confusão. Mas não consigo abrir nenhuma das portas, todas estão trancadas. Tateio no chão perto às portas pra ver se consigo encontrar alguma chave, mas não encontro nada. Continuo seguindo por entre as portas e consigo perfeitamente distinguir entre a voz que eu estou seguindo e os barulhos que vêm das portas. Eu fico angustiado por que o corredor não termina e o escuro me faz tremer a espinha, até que eu sento em frente a uma das portas e me ponho a lamentar também tentando imitar a voz que eu estou seguindo e consigo deixar as duas vozes em uníssono. Isso me causa espanto e angustia. Sentado com meu desespero vejo ao longe vinda de cima um feixe de luz que entra pelos vitrais e percebo que é a luz da lua, que clareia parcialmente o corredor e revela os desenhos dos vitrais. A imagem é aterradora: nos vitrais tem a forma em mosaico colorido de dois anjos, um branco com asas negras e um negro com asas brancas, ambos estão sendo traspassados, empalados, com uma estalagmite que nasce do chão, a ponta da estalagmite traspassa das costas ao abdômen, na altura do umbigo, dos anjos. Dois anjos deitados e traspassados, um em cada estalagmite, um de frente para o outro. Ambos não tinham faces definidas, eram como borrões as faces, mas pela posição dos braços e das pernas estavam vivos e em agonia atroz. Percebo com detalhe que faltava uma asa de cada, ou seja, ambos tinham apenas uma asa. Olho mais um pouco aquele desenho “Danteano” e percebo que não eram os anjos que estavam sem uma das asas mais o vitral que estava faltando um pedaço em ambos os lados. Em todos os vitrais tinha o mesmo Desenho e todos estavam faltando às mesmas partes.
Com a visão dos vitrais iluminados pela luz da lua, começo a ter espasmos nervosos e artísticos começo a correr em êxtase para os lados batendo-me nas paredes e nas portas. Até que nessa confusão solitária e regida pela voz lamuriosa e a luz da lua, vejo por entre uma das portas um feixe de luz que revela que só aquela porta estava entre aberta, coisa que antes não tinha visto. Vou devagar e com a mão abro devagar a porta que faz um barulho irritante e revela minha presença. Ao abrir vejo um grande salão vazio só com uma penteadeira antiga com um grande espelho e uma mulher ruiva com um penteado do século XV ou XVI, o penteado bem armado com jóias segurando a armação do cabelo, um longo vestido verde, pesado e cheio de detalhes. E na parte de cima do busto nada, nua, com seios fartos e um pouco de barriga como eram pintadas as mulheres no auge do Romantismo.
Ela está sentada frente ao espelho e não olha para trás pra me ver, mas sim me vê através do espelho e eu vejo seu rosto e seus seios através do espelho também. Fico atraído por sua beleza vertiginosa, mas não consigo falar nada pra ela, não que eu não queira ou não tivesse o que falar, mas por que eu me sentia sobrenaturalmente mudo, ela espera ainda algum tempo, como se eu estivesse em torpor diante daquele ser belo e obscuro, olhando pelo espelho nos meus olhos. Até que ela aponta para a parte escura do salão, levantasse ainda de costas sem olhar para mim e segue andando lentamente para o mesmo canto escuro. Fica impossível de vê-la ou ouvi-la. Todo o salão começa a ficar escuro novamente e a escuridão chega até mim e cobre-me por completo olho pra cima e não vejo mais sinal da lua.
(Eu acordo no escuro sem saber onde eu estou até que lembro e acendo a luz. Não consegui mais dormir essa noite).
SÍMBOLOS JUNGUIANOS IDENTIFICADOS.
- Caixa d’água.
- Altura.
- Voz de clamor feminina.
- Busca da voz, sozinho na noite e na neblina.
- Catedral.
- Corredor com portas fechadas.
- Barulho de confusão através das portas.
- Escuridão.
- Procura das chaves no tato e no escuro.
-Vitrais no escuro.
- O surgimento da lua.
- Espasmos artísticos de euforia.
- A pintura aterradora dos Vitrais.
- Vitrais incompletos.
- Vitrais repetidos.
- A lua revela uma porta aberta
- Mulher estranhíssima que olha através do espelho.
- Fuga da mulher para o escuro.
- Deslocamento da Lua.
- Aglutinação do escuro novamente em todo o ambiente.
- Despertar real em escuro real.
No sonho eu acordo num lugar muito alto, estava sozinho dormindo em cima de uma caixa d’água de concreto gigantesca que fica no bairro Pacheco em Ilhéus. A forma arquitetônica da caixa d’água é única: lembra um disco voador de concreto em forma de octógono suspenso a 100 metros de altura por quatro colunas de concreto, com uma escada em espiral entre as quatro colunas. É uma noite silenciosa e melancólica (ao menos é esse o sentimento que eu tenho quando acordo no sonho). Olho curioso pra baixo e não vejo um ser vivente sequer, ainda olhando pra baixo ouço o chirriar de corujas inquietas e penso nisso como um presságio, olho pro alto e não vejo a Lua sinto-me mau por isso. Olho em seguida para o horizonte da cidade e ouço uma voz feminina que rasga o silêncio, o tom da voz é de clamor, mas não consigo identificar nem entender as palavras que a voz expressa. (Não sei ao certo se eu não compreendia o que a voz dizia ou se eu ao acordar não consegui lembrar, mas o tom de clamor é nítido em minha mente até agora).
Sinto-me realmente curioso e perturbado com aquela voz, que não era um grito de socorro nem uma voz desesperada frente ao perigo eminente, era como um canto lamurioso que realmente me atraiu como um imã. Olho para cima é ainda não vejo a lua, o que me causa mais aflição. Desço rápido, mas não correndo, as escadas da caixa d’água e chego à rua de paralelepípedos assimétricos, a noite está muito escura, uma penumbra densa que revela de forma tísica as silhuetas dos entes de concreto em meu caminho. Sigo eufórico e perturbado a voz, tateando pela penumbra sem lua, uma neblina rala ofusca mais o meu caminho guiado pela voz lamuriosa.
Depois de caminhar, às cegas, por algum tempo, chego aos portões da Catedral da Piedade em Ilhéus, encontro o cadeado do portão aberto e a voz está mais alta e vindo lá de dentro, fico apreensivo em entrar, mas sou acalentado por um impulso juvenil e me sinto impelido a entrar. A primeira coisa que meus olhos vêem é escuridão e um corredor gigante cheio de portas fechadas, paredes altíssimas e janelas imensas com vitrais, tudo está muito escuro e eu não consigo ver os desenhos dos vitrais. (Nunca entrei na Catedral da Piedade e não tenho idéia de como possa ser o seu interior) Entro tateante e sigo a voz que não para de me atormentar fazendo com que dois sentimentos se mesclem: curiosidade e medo. A escuridão me mostra no corredor varias silhuetas em movimento e não consigo distingui-las, são muito estranhas para minha compreensão. A voz vai ficando mais alta e nítida, mas ainda não consigo identificar as palavras ou entender o que esse canto lamurioso diz.
Fico curioso com as portas e toco com o ouvido uma delas, escuto coisas atrás da porta: vozes, gemidos, confusão, risadas, palavrões, brigas, barulho, estrondos. Percebo depois que em todas tem barulho e confusão. Mas não consigo abrir nenhuma das portas, todas estão trancadas. Tateio no chão perto às portas pra ver se consigo encontrar alguma chave, mas não encontro nada. Continuo seguindo por entre as portas e consigo perfeitamente distinguir entre a voz que eu estou seguindo e os barulhos que vêm das portas. Eu fico angustiado por que o corredor não termina e o escuro me faz tremer a espinha, até que eu sento em frente a uma das portas e me ponho a lamentar também tentando imitar a voz que eu estou seguindo e consigo deixar as duas vozes em uníssono. Isso me causa espanto e angustia. Sentado com meu desespero vejo ao longe vinda de cima um feixe de luz que entra pelos vitrais e percebo que é a luz da lua, que clareia parcialmente o corredor e revela os desenhos dos vitrais. A imagem é aterradora: nos vitrais tem a forma em mosaico colorido de dois anjos, um branco com asas negras e um negro com asas brancas, ambos estão sendo traspassados, empalados, com uma estalagmite que nasce do chão, a ponta da estalagmite traspassa das costas ao abdômen, na altura do umbigo, dos anjos. Dois anjos deitados e traspassados, um em cada estalagmite, um de frente para o outro. Ambos não tinham faces definidas, eram como borrões as faces, mas pela posição dos braços e das pernas estavam vivos e em agonia atroz. Percebo com detalhe que faltava uma asa de cada, ou seja, ambos tinham apenas uma asa. Olho mais um pouco aquele desenho “Danteano” e percebo que não eram os anjos que estavam sem uma das asas mais o vitral que estava faltando um pedaço em ambos os lados. Em todos os vitrais tinha o mesmo Desenho e todos estavam faltando às mesmas partes.
Com a visão dos vitrais iluminados pela luz da lua, começo a ter espasmos nervosos e artísticos começo a correr em êxtase para os lados batendo-me nas paredes e nas portas. Até que nessa confusão solitária e regida pela voz lamuriosa e a luz da lua, vejo por entre uma das portas um feixe de luz que revela que só aquela porta estava entre aberta, coisa que antes não tinha visto. Vou devagar e com a mão abro devagar a porta que faz um barulho irritante e revela minha presença. Ao abrir vejo um grande salão vazio só com uma penteadeira antiga com um grande espelho e uma mulher ruiva com um penteado do século XV ou XVI, o penteado bem armado com jóias segurando a armação do cabelo, um longo vestido verde, pesado e cheio de detalhes. E na parte de cima do busto nada, nua, com seios fartos e um pouco de barriga como eram pintadas as mulheres no auge do Romantismo.
Ela está sentada frente ao espelho e não olha para trás pra me ver, mas sim me vê através do espelho e eu vejo seu rosto e seus seios através do espelho também. Fico atraído por sua beleza vertiginosa, mas não consigo falar nada pra ela, não que eu não queira ou não tivesse o que falar, mas por que eu me sentia sobrenaturalmente mudo, ela espera ainda algum tempo, como se eu estivesse em torpor diante daquele ser belo e obscuro, olhando pelo espelho nos meus olhos. Até que ela aponta para a parte escura do salão, levantasse ainda de costas sem olhar para mim e segue andando lentamente para o mesmo canto escuro. Fica impossível de vê-la ou ouvi-la. Todo o salão começa a ficar escuro novamente e a escuridão chega até mim e cobre-me por completo olho pra cima e não vejo mais sinal da lua.
(Eu acordo no escuro sem saber onde eu estou até que lembro e acendo a luz. Não consegui mais dormir essa noite).
SÍMBOLOS JUNGUIANOS IDENTIFICADOS.
- Caixa d’água.
- Altura.
- Voz de clamor feminina.
- Busca da voz, sozinho na noite e na neblina.
- Catedral.
- Corredor com portas fechadas.
- Barulho de confusão através das portas.
- Escuridão.
- Procura das chaves no tato e no escuro.
-Vitrais no escuro.
- O surgimento da lua.
- Espasmos artísticos de euforia.
- A pintura aterradora dos Vitrais.
- Vitrais incompletos.
- Vitrais repetidos.
- A lua revela uma porta aberta
- Mulher estranhíssima que olha através do espelho.
- Fuga da mulher para o escuro.
- Deslocamento da Lua.
- Aglutinação do escuro novamente em todo o ambiente.
- Despertar real em escuro real.
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